Trabalhadores estrangeiros são vítimas de traficantes nos Estados Unidos

Por Reuters.

Trabalhadores estrangeiros são vítimas de traficantes nos Estados Unidos
Com visto de trabalho temporário, imigrantes são obrigados a pagar taxas de recrutamento.

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Trabalhador estrangeiro nos Estados Unidos: relatório indica que muitos são explorados por traficantes de pessoas – Robert F. Bukaty / AP

Estrangeiros com visto de trabalho temporário estão sendo vítimas de traficantes de pessoas nos Estados Unidos. Enquanto isso, recrutadores e empregadores exploram um sistema falho que inclui várias agências governamentais, segundo um grupo de defesa.

Os chamados “Guest Workers” geralmente estão ligados a um empregador e podem ser deportados se mudarem de emprego ou pedirem demissão. Isso os torna vulneráveis aos traficantes que exploram uma situação de incerteza, relatou Polaris, uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington.

O número total de trabalhadores estrangeiros é desconhecido, já que várias agências governamentais americanas emitem vistos. O Instituto de Política Econômica, baseado em Washington, estimou que em 2013 havia 1,42 milhão de trabalhadores estrangeiros temporários.

Por meio de ligações para a Linha Nacional de Tráfico Humano (que recebe denúncias de todo o país), Polaris encontrou cerca de 800 trabalhadores com vistos temporários de trabalho que foram traficados de 2015 a 2017.

— As pessoas cujos casos foram reportados neste relatório provavelmente representam somente uma pequena fração do número de vítimas reais — disse a organização. — Independentemente disso, até mesmo o número que nós conhecemos é chocante e inaceitável.

A maioria das vítimas trabalhava na agricultura e tinha seus salários confiscados ou ficava presa aos empregadores pois precisava pagar dívidas por taxas de recrutamento e transporte. Em todo o mundo, estima-se que 25 milhões de pessoas sejam vítimas de tráfico de pessoas, tanto de trabalho escravo, quanto sexual, de acordo com a Organização Internacional de Trabalho e outros grupos.

Desde 2007 a Polaris identificou cerca de 30.000 casos de exploração de mão-de-obra e tráfico de seres humanos nos Estados Unidos. (Foto-CNN)

Representantes dos Departamentos de Estado, Trabalho e Segurança Interna dos Estados Unidos, que emitem a maioria dos vistos, não se pronunciaram.

O diretor-executivo da Polaris, Bradley Myles, disse que as regras para os vistos precisam mudar, aceitando que os trabalhadores possam mudar de emprego em vez de ficarem vinculados ao mesmo empregador.

— Essas mudanças criariam um mercado de trabalho diferente do mercado atual, no qual certos trabalhadores estão ligados a certos empregadores, assim como um cavalo amarrado a um poste — disse Myles.

Os resultados do relatório são consistentes com as reclamações feitas para o Equal Justice Center, uma organização sem fins lucrativos, com sede no Texas, que defende trabalhadores e imigrantes, afirmou o advogado Christopher Willett.

— Eles são vulneráveis em relação ao roubo de seus salários, às condições de trabalho que enfrentam, ameaças de deportação e outras formas de retaliação caso reclamarem de algo — disse Willet ao Thomson Reuters Foundation.


Os trabalhadores pouco qualificados são os mais vulneráveis, de acordo com a Polaris. A maioria das vítimas encontradas era formada por homens que trabalhavam em fazendas produtoras de tabaco, frutas e legumes. Mais da metade veio do México, mas havia vários das Filipinas.

Segundo o relatório, o sistema fica corrompido quando se preenchem vagas com trabalhadores temporários estrangeiros que farão o trabalho por muito menos dinheiro e em condições de trabalho precárias em relação aos nascidos nos Estados Unidos.

Polaris propôs um número de medidas — algumas estão dependendo de aprovação no Congresso americano — que incluem proibir taxas de recrutamento, uma melhor supervisão de recrutadores e empregadores, e dar aos trabalhadores maior controle na busca de seus empregos e na mudança deles.

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