NASL pede apoio até da CBF para voltar a operar

Por GE.

Liga da 2ª divisão dos EUA teve licença suspensa por causa de disputa judicial com a Federação Americana. Cerca de 400 atletas e staff ficaram desempregados. Último clube campeão tinha quatro jogadores brasileiros.

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Bola oficial da NFSL. Foto-ANDY MEAD/YCJ/ICON SMI)

A Liga Norte-Americana de Futebol (NASL, da sigla em inglês para North American Soccer League) enviou cartas à CBF e à Conmebol pedindo apoio para evitar desaparecer. Em janeiro passado, a entidade deixou de operar, após decisão da Federação de Futebol dos Estados Unidos (USSF) , que revogou o status de Segunda Divisão americana da NASL. A razão é uma disputa judicial na qual, entre outras questões, a liga busca regulamentar o acesso e descenso no futebol profissional daquele país, o que contraria os interesses da Major League Soccer (MLS), a primeira divisão.

No início do mês, a NASL já havia enviado cartas a todas as 41 federações nacionais filiadas à Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), com pedidos de apoio das entidades para convencer a USSF a se sentar e discutir uma nova proposta de operação da segunda divisão, além de reativar a licença da liga.

A iniciativa de pedir também os apoios da CBF e da Conmebol se deu pelo fato de o Brasil ser o terceiro maior mercado de jogadores da NASL, depois dos atletas americanos e canadenses.

– Seis por centro dos jogadores da NASL na temporada passada eram brasileiros. A relação do Brasil conosco tem mais de 40 anos e vem desde os tempos de Pelé jogando no News York Cosmos – explicou o Comissário Interino da NASL, Rishi Sehgal, em entrevista por telefone ao GloboEsporte.com desde Miami.

Pablo Dyego (de branco) foi campeão pelo San Francisco Deltas, em 2017, emprestado pelo Fluminense (Foto: Divulgação)

A liga, que tinha 14 clubes franqueados no ano passado, ficou reduzida a apenas quatro: Jacksonville Armada, New York Cosmos, Miami FC e Puerto Rico FC. Cerca de 250 jogadores e 150 técnicos, auxiliares, preparadores físicos e gerentes ficaram desempregados, com a interrupção das atividades da NASL.

Foi o próprio Rishi Sehgal quem escreveu a carta, abaixo, endereçada ao presidente da CBF, Antônio Carlos Nunes, o coronel Nunes. O GloboEsporte.com teve acesso ao documento, enviado por email, no último dia 10 de maio. Nele, Sehgal realça o pedido de apoio à CBF para que esta interceda junto à Federação de Futebol dos EUA com o objetivo de aceitar uma reunião na tentativa de aparar as arestas com a NASL. No documento, Sehgal relata que a liga forneceu oportunidades para jogadores estrangeiros, inclusive do Brasil.

(Foto: Reprodução)

“As conexões da NASL com o Brasil são profundas. Pelé iniciou a tendência há mais de 40 anos, e a lenda brasileira mudou o esporte nos Estados Unidos para sempre. A popularidade do esporte explodiu nos anos 70 e 80, com crianças de todo o país jogando levando outros grandes nomes brasileiros a seguir o caminho de Pelé para os EUA, como Carlos Alberto (Torres)”, informa um dos trechos da carta endereçada ao presidente da CBF, no último dia 10 de maio e ainda sem resposta.

O último campeonato da Segunda Divisão americana foi disputado em 2017 e vencido pelo San Francisco Deltas, no dia 13 de novembro, com o triunfo por 2 a 0 sobre o New York Cosmos. O San Francisco tinha quatro brasileiros no elenco: o atacante Dagoberto (ex-Atlético-PR, São Paulo, Cruzeiro, Vasco, hoje no Londrina-PR), Reiner (atuou por mais de dez times no Brasil, incluindo Guarani-SP e Juventude-RS), Jackson (ex-São Paulo e ex-Cruzeiro) e Pablo Dyego (que estava emprestado pelo Fluminense, na ocasião).

A liga também é fonte de reforços para clubes da Major League Soccer (MLS), considerada a primeira divisão americana, embora o país não tenha acesso e descenso. Vários desses jogadores, incluindo Ibson (ex-Flamengo e Porto), Stéfano Pinho (ganhador da Bola de Ouro, de melhor jogador, e da Chuteira de Ouro, de artilheiro da NASL) e Victor “PC” Giro acabaram contratados por clubes da MLS.

– A NASL está trabalhando para retomar as operações para a temporada de 2019. No último dia 13 de abril, o senhor Rocco B. Commisso, presidente do New York Cosmos, enviou uma carta ao presidente do USSF, Carlos Cordeiro, pedindo uma reunião para discutir os planos do senhor Commisso de investir até US$ 500 milhões para ajudar a recuperar a NASL. Desse total, o senhor Comisso investiria a metade, ele próprio, com os outros US$ 250 milhões sendo captados com patrocinadores e investidores – explicou Rishi Sehgal.

No último dia 14 de maio, a Liga Norte-Americana de Futebol (NASL) informou ter recebido respostas da Federação de Futebol dos Estados Unidos (USSF) e da Major League Soccer (MLS) no processo federal antimonopólio movido pela NASL contra as duas no Tribunal do Distrito Leste de Nova Iorque, desde o ano passado. A USSF e a MLS não apresentaram uma explicação para a cassação da licença da NASL, segundo Rishi Sehgal.

Em setembro de 2017, após a decisão da USSF de revogar a licença da NASL como Divisão II americana a partir de janeiro de 2018, a NASL entrou com uma ação antitruste, solicitando uma liminar para manter o status de segunda divisão e uma injunção para derrubar o uso anticoncorrencial dos Padrões da Liga Profissional. Devido à perda da liminar, a NASL foi forçada a cancelar a temporada 2018, o que levou a entidade a acrescentar à reclamação judicial uma reivindicação de ressarcimento por danos. A NASL também fez acusações contra membros do Conselho de Administração da USSF por violações de obrigações fiduciárias.

Enquanto a NASL aguarda as respostas da CBF e da Conmebol, no pedido de apoio junto à USSF, Sehgal acredita que a ajuda seja fundamental para encontrar a solução e acabar com a crise no futebol dos Estados Unidos. O país sequer conseguiu se classificar para a Copa do Mundo na Rússia.

– Atravessamos um momento difícil, mas penso que nossa presença é fundamental para o futebol voltar a crescer nos Estados Unidos. Temos investidores interessados na NASL. Somos capazes de fazer uma segunda divisão ainda melhor – encerrou Sehgal.

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