Flávio Augusto explica como tornou o Orlando City um dos mais valiosos das Américas

Por Lucas Loos.

Em sua quarta temporada na MLS, o Orlando City ainda busca a inédita classificação para os playoffs. Mas, fora das quatro linhas, o ex-time de Kaká já faz sucesso. Após ser comprada pelo brasileiro Flávio Augusto da Silva em 2013, a franquia da Flórida entrou para o seleto grupo das equipes mais valiosas das Américas nos últimos anos e, ao anunciar a venda de 8,63% de suas ações nesta semana, atingiu US$ 490,53 milhões (R$ 1,62 bilhão) de valor de mercado.

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Kaká e Flávio Augusto que comprou o Orlando City em 2013 e o levou à MLS (Foto: Divulgação / Arquivo pessoal)

No futebol como negócio, uma trajetória de sucesso do maior esporte do mundo dentro do maior mercado.

– Essa valorização é uma combinação de dois fatores. Falamos de empreender o futebol, o maior esporte do maior mundo dentro do maior mercado do mundo. Quando se fala de mercado e valor, não se fala de títulos, campeonatos… isso é um outro jogo. Tem um jogo fora de campo. E as bases da construção de valor está dentro do fato que trabalhamos com o maior esporte do mundo dentro do maior mercado – disse Flávio, em entrevista por telefone ao GloboEsporte.com.

Mesmo com a venda das ações para Friedberg Mercantile Group, de Albert Friedberg, Flavio Augusto permanece como sócio majoritário da franquia (com cerca de 80% das ações) adquirida em 2013 ao custo de cerca de R$ 200 milhões. Carioca e flamenguista, ele explica que só aceitou comprar para valer o projeto caso conseguisse levar a franquia para a MLS e, desde então, o negócio passou a valer oito vezes mais.

– Aqui encontrei um modelo de negócios em que eu sou o proprietário. Não é uma entidade sem fins lucrativos, como no Brasil. Estamos investindo porque é uma empresa que tem o objetivo claro de desenvolver esse modelo, que me atrai e me traz uma segurança jurídica. No Brasil, nem que eu quisesse poderia comprar um clube. Lá há uma pegada mais política do que empresarial. No Brasil, temos ainda um pouco de “espanholização”.

Flávio Augusto da Silva comprou o Orlando City em 2013 e o levou à MLS (Foto: Divulgação / Arquivo pessoal)

– A Espanha tem um dos campeonatos mais chatos do mundo. Lá não tem competitividade, porque o modelo não favorece competitividade comercial. Além disso, aqui, além de proprietário do clube, sou proprietário da liga, como na NBA, por exemplo. Consigo captar valor. No Brasil, é cada um por si. Não é um modelo que me atraiu – completou.

O valor que o Orlando City chegou com a venda desta semana supera – e muito – aquele divulgado na lista anual da Forbes em 2017. Naquela ocasião, a franquia já estava entre as mais valiosas das Américas, mas com valor de mercado de “apenas” US$ 187,5 milhões. Com os US$ 490,53 milhões atuais, ficaria apenas atrás do Corinthians no top-10 do continente (veja a lista abaixo).

A lista acima foi divulgada no ano passado pela Forbes e dá uma estimativa do valor de mercado dos clubes. (Imagem-Ilustração)

Ainda em busca de resultados dentro das quatro linhas, o ex-time de Kaká nos EUA está entre as maiores médias de público da MLS, construiu seu próprio estádio com 100% de capital privado e recentemente apareceu na lista da Forbes como um dos 10 clubes mais valiosos das Américas. Fatores que juntos fizeram o clube ultrapassar essa significativa marca de R$ 1 bilhão, superando até mesmo franquias de centros maiores como Los Angeles e Nova York.

– Aqui conseguimos engajar o público. São jogos lotados, temos média de público altíssimas. Encontram nossos produtos dentro de todas as lojas da cidade. Nós construímos um estádio também. Foi erguido em 18 meses dentro do prazo, sem estouro de orçamento. Já está 60% pago e daqui a dois anos estará totalmente quitado. Há uma gestão financeira que gera riqueza e valor, a ponto de atrair investidores para pagar esse valor alto.

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