Famosos apoiam os atletas que se ajoelham contra Trump

Stevie Wonder, Pharrell Williams e John Legend repetiram o gesto em seus shows.
A hashtag #TakeTheKnee tem sido usada em protesto contra os insultos de Trump à NFL.



Stevie Wonder e seu filho, no sábado, em um show em Nova York. (MICHAEL NOBLE JR. AP)

Stevie Wonder e Pharrell Williams são dois dos cantores que se ajoelharam para protestar contra Donald Trump numa manifestação de apoio aos jogadores de futebol americano que têm se ajoelhado durante o hino nacional dos Estados Unidos, em protesto pela injustiça racial no país.

Um gesto que provocou a irritação do presidente dos EUA, que chegou a fazer um pedido no Twitter para que a liga nacional de futebol americano (NFL) seja boicotada. Como resposta foi lançada nas redes sociais a hashtag #TakeTheKnee, que recebeu o apoio de numerosos rostos conhecidos.

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“Essa noite me ajoelho pelos Estados Unidos. Mas não com um joelho, com os dois. Com os dois joelhos no chão em uma oração por nosso planeta, nosso futuro, nossos líderes mundiais”, declarou o cantor cego, de 67 anos, sustentado por seu filho Kwame Morris, no sábado em Nova York. O cantor participou do show que reuniu artistas famosos e políticos para apoiar a luta contra a pobreza em todo o mundo, enquanto o presidente norte-americano quer reduzir a ajuda internacional dos Estados Unidos. O cantor Pharrell Williams também estava no evento.

O próprio Williams faria o mesmo gesto no dia seguinte durante um show em Charlottesville, centro dos protestos racistas de março e agosto. “Eu quero me ajoelhar agora mesmo pelas pessoas de minha cidade, pelas pessoas de meu Estado, pelo que essa bandeira significa”, disse o também produtor musical antes de se ajoelhar diante do público em um discurso em que pediu “liberdade de expressão e de religião”.



O presidente Donald Trump sugere que os proprietários dos clubes demitam atletas que se ajoelham durante o hino nacional. AP Photo / Brynn Anderson

A polêmica começou na sexta-feira passada, quando Donald Trump chamou de “filho da puta” o jogador Colin Kaepernick, ex-San Francisco 49ers, hoje sem equipe, que há um ano começou a se ajoelhar na hora o hino antes das partidas, em protesto contra a violência racial. Muitos outros jogadores seguiram seu exemplo, especialmente neste fim de semana, após os ataques do presidente em seus discursos e pelo Twitter. “Se os torcedores da NFL se negassem a ir às partidas até que os jogadores deixem de faltar com o respeito à nossa bandeira e ao nosso país, as coisas mudariam rápido. Que sejam demitidos ou suspensos”, dizia Trump num desses tuítes.

“Protestar é patriótico. Os protestos assumiram um importante papel em elevar as vozes dos mais vulneráveis da nossa nação. É a definição de patriotismo. Cada vez que alguém se ajoelha ou ergue o punho, os espectadores devem enfrentar o porquê, com a incômoda realidade de que nosso país marginaliza diariamente milhares de pessoas das comunidades pobres”, escreveu o cantor John Legend numa carta à revista Slate. Ele também compartilhou uma foto na sua conta do Instagram, que tem 7,2 milhões de seguidores, onde aparece ajoelhado e com o punho erguido durante seu show em Hamburgo.

São muitos outros os rostos conhecidos que mostraram seu apoio aos jogadores de futebol americano através de suas contas nas redes sociais, utilizando a hashtag #TakeTheKnee [“ajoelhe-se”]. “Como seguidora do futebol americano, hoje estou orgulhosa dos jogadores da NFL. Nada é mais norte-americano que o direito ao protesto pacífico”, escreveu em seu Twitter a apresentadora Ellen DeGeneres. “Sei que não deveria falar de esporte, mas os comentários de Trump sobre os jogadores da NFL voltam a provar que ele está decidido a envenenar todos os aspectos da vida norte-americana”, escreveu por sua vez o cantor John Mayer.

A atriz Uzo Aduba, conhecida por seu papel de Suzanne Warren (Crazy Eyes) na série Orange Is The New Black, imortalizou o mesmo gesto com uma imagem que compartilhou no Twitter. “É assim de simples #TakeAKnee”, dizia a seu quase meio milhão de seguidores. A também atriz Olivia Wilde e todo o elenco da obra da Broadway 1984 se ajoelharam sobre o palco depois da apresentação, como ela mesma se encarregou de mostrar numa foto para os seus 2,6 milhões de seguidores no Instagram, onde ela também mostrou sua participação na marcha das mulheres contra Trump em Washington, em janeiro passado. O cantor e produtor P. Diddy foi outro que mostrou seu apoio aos jogadores da NFL com um vídeo nas suas redes sociais, chamando-os de “heróis” e pedindo que mostrem “unidade” e “força”. A mesma solidariedade com os atletas foi manifestada pela cantora e atriz Zendaya, pela atriz e roteirista de Girls Lena Dunham, pela diretora de Selma, Ava DuVernay, pelo realizador Michael Moore, pelos atores Samuel L. Jackson, Mark Hamill, Zoë Kravitz e America Ferrara e pela escritora JK Rowling.

Por ElPaís


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