Candidato republicano é acusado de abuso sexual de menor

Quatro mulheres contaram ao jornal Washington Post que saíram com Roy Moore quando ainda eram menores e ele tinha 32.

O candidato republicano ao Senado pelo estado do Alabama Roy Moore (Scott Olson/Getty Images)

O jornal americano, The Washington Post, publicou nesta quinta-feira entrevistas com quatro mulheres que tiveram encontros com Roy Moore quando ainda eram menores de idade. As denúncias acontecem algumas semanas antes das eleições para o Senado dos Estados Unidos, no qual o republicano concorre pelo estado do Alabama. O candidato nega as acusações e acusa o jornal e o Partido Democrata de conspirarem contra ele.

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Os encontros aconteceram em 1979 e Moore tinha 32 anos. Leigh Corfman, na época com 14 anos, contou ao Post que conheceu o candidato em um tribunal onde sua mãe teria uma audiência. O homem se ofereceu para tomar conta da menina enquanto a mãe assistia à audiência. Ele e a menina trocaram telefones e dias depois Moore estava combinado de encontrá-la em uma esquina próxima à onde ela morava.

Ele a levou para a sua casa, onde a abraçou e beijou. Assustada, Corfman pediu para ir embora, o que ele concordou. Em um segundo encontro ele a tocou e fez com que a menina tocasse em suas partes íntimas. Ela tornou a pedir que fosse para casa e ele a levou. Depois do episódio os encontros cessaram.



Outras três mulheres, Wendy Miller, na época com 16 anos; Wesson Gibson, 17, e Gloria Thacker Deadson, 18, também contaram ao Post que saíram com Moore no mesmo ano. Porém, todas tiveram encontros que se limitaram a beijos e abraços.

As mulheres contaram que na época se sentiram lisonjeadas por terem atraído a atenção de um homem mais velho. A mãe de Wesson Gibson chegou a dizer que sua filha era a “moça mais sortuda do mundo” por estar saindo com Roy Moore. Mas hoje elas percebem o problema da situação.

Leigh Corfman, à esquerda, em uma foto de 1979, quando tinha cerca de 14 anos. À direita, do topo, Wendy Miller aos 16 anos, Debbie Wesson Gibson aos 17 anos e Gloria Thacker Deason aos 18 anos. (Fotos de família)

No estado do Alabama, ter contato íntimo com menores de 16 anos é considerado abuso sexual de segundo grau. A pena por tocar de forma indevida menores é de um ano de prisão. Além disso, aliciar crianças e adolescentes para entrar em algum lugar com intenções de ter contatos sexuais também é crime punível com até 10 anos de prisão.

Corfman nunca denunciou Moore por medo de ser descreditada ou de sofrer represálias. Nenhuma das mulheres procurou o Post. Os repórteres do jornal souberam da história enquanto trabalhavam em uma reportagem sobre os partidários da campanha de Moore. A partir disso, conversaram com cerca de trinta pessoas, entre as vítimas, seus familiares e amigos.

Em seu Twitter, Roy Moore acusou a “Máquina Obama-Clinton” de lançar “a mais viciosa e desagradável rodada de ataques” que já enfrentou. Logo após a publicação da reportagem, a equipe do candidato disparou e-mails angariando fundos e acusando o Washington Post de estar “defendendo seu oponente” à cadeira do senado, o democrata Doug Jones.

Segundo o jornal The Guardian, os membros superiores do Partido Republicano trabalharam imediatamente para distanciar suas imagens de Moore. O líder da maioria do Senado, Mitch McConnell, disse em pronunciamento que “se as alegações forem verdadeiras, ele deve se afastar”.

Jim Ziegler, auditor do Alabama, saiu em defesa de Moore, alegando que “Maria era adolescente e José era um carpinteiro adulto. Eles se tornaram os pais de Jesus”.

O oponente democrata, Doug Jones, se pronunciou dizendo que “Roy Moore tem que responder essas sérias acusações”.

Por Veja


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