Brasileiro se integra aos EUA melhor que outros imigrantes, diz estudo

A comunidade brasileira nos Estados Unidos é mais qualificada e está mais integrada que a média dos outros imigrantes no país, segundo um levantamento feito por dois pesquisadores brasileiros a partir de dados do governo americano.



Os brasileiros nos EUA –que seriam cerca de 1,3 milhão, segundo estimativa do Itamaraty– têm uma taxa de desemprego menor (5%) e uma média de renda domiciliar maior (US$ 55.463 por ano) não só em relação a todos os imigrantes, mas também aos americanos.

Os dados são de 2014, os mais atuais disponíveis, e foram compilados a partir do American Community Survey, do Censo americano, pelos pesquisadores Álvaro de Castro e Lima e Alanni Barbosa de Castro para o livro “Brasileiros nos Estados Unidos: Meio Século Refazendo a América (1960-2010)”.

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A publicação, editada pela Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), do Itamaraty, será lançada nesta sexta (7) em Brasília, junto com 16 guias do ministério sobre empreender no exterior.

Para Castro e Lima, o perfil da comunidade brasileira não mudou tanto desde 2014. “A realidade é a mesma, porque essas características da população como um todo mudam devagar”, disse à Folha, por telefone, de Boston.






Os brasileiros, segundo o levantamento presente no livro, têm maior nível educacional que a média de todos os imigrantes: 46% têm ensino médio completo e superior incompleto e 30% se formaram no ensino superior, contra 35% e 23% dos demais.

“É a diferença entre uma imigração de classe média baixa, como vinha sendo a brasileira, e a do resto da América Latina, que é uma imigração mais rural, com um grau de educação mais baixo”, diz o autor.

A participação na força de trabalho, de 71%, também é maior entre os brasileiros, inclusive na comparação com os americanos, que registram 63%. A maioria trabalha como empregado do setor privado (69%), mas o índice de autônomos (25%) é maior que entre todos os imigrantes (12%) e americanos (9%).

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Para o pesquisador, é evidente que o brasileiro está mais integrado no mercado de trabalho, mas isso não se reflete nas áreas social e política. “Só agora é que os brasileiros estão dando os primeiros passos na integração política, com candidatos a vereador e prefeito –o que é normal, porque é uma imigração muito nova”, diz.

Os autores mostram a diferença entre o perfil das comunidades nos cinco Estados que reúnem 63% dos brasileiros no país: Flórida, Califórnia, Massachusetts, Nova York e Nova Jersey.

Os dois primeiros reúnem uma população brasileira mais velha, com a Flórida tendo também os mais altos índices de desemprego, junto com Nova York e Nova Jersey. É nestes últimos, no entanto, que os brasileiros têm maior renda, seguido da Califórnia.

NOVO FLUXO

Castro e Lima destaca que, desde 2013, há um novo fluxo de brasileiros, mais qualificado, em direção aos EUA, motivado pelas crises política e econômica e pela violência urbana. “Mas ainda é muito cedo para saber se é um novo fluxo migratório ou se só são as pessoas que saíram agora por causa da crise e depois vão voltar”, diz.

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Apesar da qualificação dos que chegam, muitos não conseguem formalizar a documentação para trabalhar em sua área de formação. Para alguns, o empreendedorismo pode ser uma solução. Tendo isso em vista, o Itamaraty redigiu guias com regras de cada região para os brasileiros que têm essa intenção.

Neste primeiro lançamento, serão 16 volumes, não só de Estados americanos, mas também de países como Alemanha, Itália e Canadá, que estarão disponíveis no site da Funag, assim como o livro sobre os brasileiros nos EUA.

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Por Geografia News




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