Brasileiro faz história ao ganhar bolsa nos EUA para jogar eSports

Por Ana Carolina Silva.

Bolsa de estudos por futebol, basquete… O sonho de estudar e praticar esporte em uma universidade dos Estados Unidos passa pela cabeça de muita gente, mas poucos sabem como realizá-lo. Giordano Pereira, de 20 anos, começou a escrever em agosto a sua história como o primeiro brasileiro a ganhar bolsa para competir nos eSports.

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Giordano Pereira, jogador de League of Legends na Missouri Valley College.
(Imagem: arquivo pessoal)

Isso significa que o gaúcho terá a chance de representar a equipe Missouri Valley “Vikings” nas competições do game League of Legends e, de quebra, estudar de graça na Missouri Valley College, dos EUA, pagando apenas por alimentação e moradia. Uma conquista muito comemorada pelo gamer, que não queria abandonar os estudos.

“Sempre pensei ‘p…, vou jogar LoL e fazer minha carreira profissional’. Mas também sempre bateu no meu subconsciente que não queria parar de estudar, não queria não saber o que estava acontecendo no mundo acadêmico. Se tenho esse privilégio, quero fazer uso disso e aproveitar a educação que meus pais querem me dar”, disse ao UOL Esporte.

No Brasil, Giordano até chegou a estudar “Gestão para Inovação e Liderança”, mas esse não parecia ser o caminho. Foi por isso que avisou ao pai no começo deste ano que trancaria a faculdade. “Ele ficou super bravo, eu fugi para a casa da minha namorada por uns dias para acalmar as coisas. Enquanto estava fora, vi uma oportunidade”, contou.

Em um grupo de League of Legends no Facebook, um homem anunciou que a agência “MVP Exchange” procurava jogadores interessados em jogar e estudar nos EUA. Enquanto os outros membros da comunidade viram a postagem como uma tentativa de golpe e a ignoraram, Giordano decidiu arriscar.

“Eu não tinha nada a perder. Falei com o cara só para mostrar para o meu pai: ‘Olha, pai, existe isso aqui. Eu parei a minha faculdade porque tenho chance de entrar em outra nos EUA’. Usei só como desculpa, sabe? Só que 2018 foi passando, as coisas foram progredindo… Quando comecei a receber cartas da faculdade, percebi que aquilo era real”, relatou.

Giordano não estava sonhando: as oportunidades para os gamers têm mesmo se tornado realidade. Em ritmo acelerado, os departamentos de eSports vão se espalhando pelas instituições de ensino dos Estados Unidos. Eram apenas sete universidades em 2016, mas o número já passou de 60 em 2018.

Gikko pretende manter os amigos, e demais interessados, atualizados através das redes sociais. (Foto: Reprodução/YouTube)

O processo seletivo

Quando estas agências levam brasileiros a universidade dos EUA para competir nos esportes tradicionais, é comum que façam testes físicos. Olheiros observam os jogadores de futebol, por exemplo. Mas como selecionar um jogador de videogame? É preciso vê-lo jogar por quanto tempo?

Giordano teve de enviar vídeos de jogatinas recentes e suas estatísticas dentro do game, mas os testes mais importantes foram as longas entrevistas em inglês com os treinadores.

Ter domínio do idioma local (seja qual for) é absolutamente essencial, mesmo para os que se julgam grandes players de League of Legends.

“O que eu mais treinei no LoL sempre foi comunicação, mesmo jogando com brasileiros. O que falar, o que não falar… Tem que se comunicar o tempo todo. A parte mais importante do esporte eletrônico é a comunicação. Eu convenci os caras de que não sou alguém que só joga bem no Brasil”, contou.

“Perguntaram se eu ficaria confortável tendo uma posição de liderança no time com um idioma que não é o meu principal. Eu tive de convencê-los e explicar por que achava que estava pronto. É preciso convencer de que você, brasileiro, faz mais diferença do que qualquer jogador dos EUA”, concluiu.

Em contato com o UOL Esporte, a agência “MVP Exchange” revelou que o treinador de LoL da Missouri Valley College se interessou rapidamente pelo perfil e o portfólio de Giordano. Depois das entrevistas, ele fez as provas do TOEFL (teste de inglês como língua estrangeira) e do SAT (exame nacional dos EUA para admissão nas universidades locais, como um vestibular).

É possível que você já tenha ouvido falar de famílias com tradição no futebol, mas não nos eSports. Pois saiba que Giordano é irmão de César “LegolaS” Pereira, jogador profissional do game de cartas Hearthstone na equipe paiN Gaming. O irmão mais velho fez o gaúcho começar a se interessar não só pelo LoL, mas por games do gênero de batalha em arena.

Em meados de 2009, Giordano costumava a assistir ao irmão jogando o game Dota, rival direto do LoL. “Eu via todo mundo fazendo com LoL, era o jogo que ninguém queria jogar, a piada do gênero. Decidi ver como era e comecei a jogar”, explicou. Mas ele deixa claro que demorou para considerar a si mesmo um jogador realmente bom.

Quando viu o amigo Martin “Espeon” vencer o Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) em 2013, Giordano se inspirou. “Eu vi como o evento tinha sido maravilhoso e percebi que queria me dedicar. Queria ser realmente bom para que um dia pudesse chegar naquele patamar”, disse.

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