Após veto, Disney gera revolta da mídia nos Estados Unidos

Em represália a publicação de uma reportagem do Los Angeles Times, o estúdio chegou a deixar o jornal fora de suas pré-estreias, mas voltou atrás em meio a uma onda de solidariedade da imprensa.

Castelo da Bela Adormecida visto da Main Street, na Disneyland, em Anaheim, em 30 de junho de 2017. (Gary Coronado / Los Angeles Times)

A tensão entre o gigante do entretenimento e o jornal começou no final de setembro, quando uma reportagem do LA Times questionou a influência da Disney na política e na economia da pequena Anaheim na Califórnia, cidade de 350.000 habitantes onde fica a Disneylândia, um dos pilares econômicos da região.

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Em represália, a Disney chegou a vetar os jornalistas do Los Angeles Times em suas pré-estreias, mas voltou atrás, em meio a uma onda de solidariedade da imprensa no país. Os jornais The New Times e The Washington Post anunciaram que não compareceriam às projeções da Disney, e as associações de críticos dos Estados Unidos ameaçaram boicotar os filmes da companhia em solidariedade ao matutino de Los Angeles.

Na sexta-feira passada, o LA Times publicou uma carta aos leitores, junto com seu habitual suplemento de estreias, explicando que não havia podido ver Thor: Ragnarok porque a Disney tinha vetado seu crítico no credenciamento da imprensa. O LA Times também afirmou que a Disney decidira vetá-lo nas pré-estreias porque considerava injusta a matéria sobre Anaheim. O jornal continuaria cobrindo as estreias, mas somente quando pudesse assistir aos longas nas salas de cinema.



Em comunicado à imprensa, a Disney confirmou que se tratava de uma represália. O LA Times “mostrou um total desprezo pelos padrões básicos do jornalismo”, dizia a nota. “Embora tenhamos fornecido numerosos dados indiscutíveis ao jornalista, a vários editores e ao dono da publicação durante meses, o LA Times continuou com uma série parcial e incorreta, totalmente guiada por questões políticas.”

Em questão de horas, o veto esbarrou na solidariedade de conhecidos jornalistas do mundo do espetáculo e fora dele. A crítica de cultura pop do The Washington Post, Alyssa Rosenberg, escreveu numa coluna que não voltaria a ver nenhuma pré-estreia da Disney até que acabasse o veto. Na manhã de terça, o The New York Times publicou um comunicado unindo-se ao boicote: “Quando uma companhia poderosa castiga um meio de comunicação por uma reportagem que não lhe agrada, faz isso para gerar medo. Este é um precedente perigoso, que de nenhum modo beneficia o público.”

Fotograma de ‘Thor: Ragnarok’, a estreia mais recente da Disney. AP

Ainda na terça, as principais organizações de críticos dos EUA aderiram ao boicote contra a Disney. A LAFCA (Associação de Críticos de Los Angeles), o NYFCC (Circuito de Críticos de Nova York), a BFSC (Sociedade de Críticos de Cinema de Boston) e a NFSC (Sociedade Nacional de Críticos de Cinema) publicaram um comunicado conjunto contra o veto. E anunciaram que os filmes da Disney não seriam considerados em seus votos nos prêmios no final do ano. Pouco depois, a TCA (Associação de Críticos de Televisão) aderiu ao boicote.

As críticas à Disney cresceram também nas redes sociais durante o fim de semana. Jake Tapper, apresentador da CNN, publicou um tuíte anunciando que havia feito uma assinatura do LA Times em solidariedade pela represália. Por volta do meio-dia de terça, a Disney anunciou que retirava o veto contra o jornal. “Tivemos conversas produtivas com a nova liderança do Los Angeles Times sobre nossas preocupações e, como resultado, decidimos permitir novamente o acesso de seus críticos às pré-estreias.”

No dia 21 de agosto toda a direção do tradicional jornal norte-americano foi trocada de surpresa.

Por P. X. SANDOVAL


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