Após trocar Brasil pelos EUA, brasileiros tem uma certeza na eleição: ‘PT, PSDB e PMDB, não’

Por Julia Braun.

Longe da crise, eleitores ouvidos ainda não definiram o melhor candidato para o futuro do país, mas rejeitam partidos como PT, PSDB e PMDB.

LEIA TAMBÉM: O novo perfil de brasileiros que emigram para os EUA

LEIA TAMBÉM: Como é o processo de deportação de imigrantes ilegais nos EUA

LEIA TAMBÉM: A lucrativa indústria da detenção de imigrantes nos EUA

‘Independentemente de quem for o candidato, PT, não’, diz a advogada tributarista Juliana Faria de Oliveira, que mora nos EUA desde 2016 (Arquivo Pessoal/Reprodução)

Miami é um dos destinos no exterior preferidos daqueles que estão descontentes com o Brasil. O fluxo de imigrantes brasileiros que chegam à cidade cresceu muito nos últimos dez anos, especialmente desde 2014, quando a recessão econômica atingiu o país.

Atualmente, segundo o embaixador Adalnio Senna Ganem, cônsul-geral em Miami, existem por volta de 200.000 brasileiros vivendo na metrópole. Em toda a Flórida são entre 350.000 e 400.000, a maior comunidade fora do Brasil. De acordo com o diplomata, o fluxo migratório de brasileiros dos últimos anos contribuiu muito para o desenvolvimento econômico, cultural e científico da cidade, já que muitos empreendedores, profissionais liberais, artistas, professores universitários, médicos e outros trabalhadores qualificados se fixaram na cidade em busca de uma nova vida.

Em uma conversa com oito pessoas que decidiram trocar o Brasil pela segurança, conforto e oportunidade de crescimento oferecidos pela cidade, centro comercial da Flórida. Longe da crise, esses brasileiros não querem nada menos do que uma mudança completa na política brasileira. Para as eleições de outubro, os desejos passam pelo fim da corrupção, pela melhora na segurança pública e na economia. E todos têm na ponta da língua: “PT, PSDB e PMDB, não!”.

Apesar da certeza em relação aos partidos de esquerda e direita, muitos ainda não escolheram em quem votar e criticam os planos de governo dos mais fortes pré-candidatos. É o caso da advogada tributarista Juliana Faria de Oliveira, de 35 anos, que afirma que todos ainda “estão devendo muito em relação a propostas e planos de governo”.

Juliana se mudou para os Estados Unidos em 2016 para fazer um mestrado e decidiu ficar por lá. Em Miami, trabalha em uma empresa de contabilidade e consultoria tributária e atende muitos imigrantes brasileiros. “Mas independentemente de quem for o candidato, PT, PSDB e PMDB, não”, argumenta. “Após anos do partido, o país está um caos.”

Elaine dos Santos, 36, também é consultora tributária e decidiu trocar o Rio de Janeiro por Miami há nove anos, em busca de mais segurança. “Sou de direita e o principal candidato da vertente é muito pouco qualificado”, diz sobre Jair Bolsonaro.

Defende ainda uma maior participação da Secretaria de Segurança na tomada de decisões políticas e a diminuição da maioridade penal no Brasil. “Aqui nos Estados Unidos nem existe isso”, diz.

Elaine dos Santos, 36, é consultora tributária e decidiu trocar o Rio de Janeiro por Miami há nove anos; ela cogita votar em Bolsonaro (Arquivo Pessoal/Reprodução)

Natural de Belo Horizonte (MG), Allan Araújo, de 39 anos, é “international liaison” (consultor internacional de vendas) em uma companhia de negócios imobiliários. Formado em administração de empresas, ele havia escolhido Flávio Rocha (PRB), como seu candidato, pois acredita que o Brasil precisa de alguém com visão empreendedora, comprometimento e preparo para governar. Além disso, entende que uma reforma tributária é necessária, assim como mudanças nas áreas trabalhista e na Previdência, porém “não como vem sendo feito até agora”. O empresário, no entanto, desistiu de concorrer à Presidência e deixou Araújo sem certeza de um outro candidato.

O consultor garante que nunca votará no PT, PSDB ou PMDB. “Os petistas são horrorosos e o PMDB e o PSDB seguem a mesma linha”, afirma. “Só se eu fosse cego, surdo e mudo votaria nesses partidos”, completa.

Consultor de vendas nos EUA, Allan Araújo garante que nunca votará no PT: ‘Só se eu fosse cego, surdo e mudo’ (Arquivo Pessoal/Reprodução)

O paulista Ivan Garcez, de 60 anos, também rejeita os partidos tradicionais. “As opções são tão ruins que penso que seria melhor se os militares pudessem tomar conta do país”, considera. “Mas eles também parecem estar entregues à corrupção. Vai levar muito tempo para as coisas começarem a se aprumar”, completa ele, que mora há 23 anos em Miami após emendar uma faculdade em um mestrado. Hoje, administra uma empresa de logística internacional.

Diante de sua experiência nos Estados Unidos, acredita que o Brasil precisa de mais investimento no ensino superior. Apesar dos laços com seu país natal, afirma que vai justificar o voto.

‘As opções são tão ruins que penso que seria melhor se os militares pudessem tomar conta do país’, diz o paulista Ivan Garcez, que vive em Miami há 23 anos (Arquivo Pessoal/Reprodução)

A empresária Priscila Sacramento, 40 anos, também enxerga a educação como uma das prioridades para o futuro do país. “Falta investimento nos professores, e educação é a base para uma melhora em muitas outras coisas”, diz. “Escola boa nos Estados Unidos é escola pública. E todo mundo tem acesso.” Entretanto, a brasileira é contra propostas que encorajam alunos mais ricos a pagarem por cursos em universidades públicas.

Há catorze anos em Miami, Priscila gerencia uma empresa de personal shopper e concierge e atende muitos brasileiros de alta renda, que passam férias na cidade. Ela conta que é muito engajada com a política brasileira, apesar da distância. “Assino todas as petições contra a corrupção”, diz. “Eu me visto de verde e amarelo para alguns movimentos, participei de algumas manifestações aqui mesmo em Miami.”

Natural de São José dos Campos, interior de São Paulo, Sergio Arena, de 41 anos, mora há vinte em Miami, onde estudou administração e hoje trabalha como analista em uma empresa de equipamentos médicos. Ele critica a falta de neutralidade e moderação dos pré-candidatos apresentados até agora. “O maior dano que a política causou no Brasil foi a divisão entre direita e esquerda”, diz.

“A eleição é a única forma que temos para mudar a atual situação do país e eleger somente pessoas com a ficha limpa”, afirma ele, que rejeita todos os grandes partidos. “Mas sei que isso é uma utopia sem tamanho”, reconhece, admitindo que serão necessários inúmeros ciclos eleitorais para conquistar esse objetivo.

Sergio Arena e sua esposa, em Miami: ‘A eleição é a única forma que temos para mudar a atual situação do país e eleger somente pessoas com a ficha limpa’ (Arquivo Pessoal/Reprodução)

VIDA EUA: Como alugar uma casa na Florida

VIDA EUA: Como escolher onde morar nos Estados Unidos

os mais lidos107 times!

COMPARTILHAR