A MLS tem culpa na eliminação dos EUA da Copa 2018?

Por Ralf Furtado e Lucas Brito

A seleção dos Estados Unidos de futebol masculino caiu nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Por que o futebol masculino dos Estados Unidos não consegue repetir o mesmo sucesso do feminino?

Como explicar o vexame da eliminação dos EUA na tentativa de se classificar para a Copa 2018? Será que a falta de tradição no futebol pode ter causado isso? Provavelmente não. Os Estados Unidos têm 10 participações em Copas, o dobro de participações que a seleção da Costa Rica, classificada em segundo no mesmo grupo. A seleção americana tem se classificado para todas as copas, desde a copa de 1990. Será que é por que os norte-americanos não gostam de futebol e preferem outros esportes? Não, isso é um clichê, os norte-americanos nunca gostaram tanto do “soccer” como gostam hoje. A paixão pelo esporte vem crescendo absurdamente no país, o futebol já é o esporte mais praticado pelas crianças nos EUA. Então como é que com 4 vagas na CONCACAF, os EUA não se classificaram com facilidade para a Copa do Mundo de 2018?



Os Estados Unidos perderam por 2 x 1 para a seleção de Trinidad & Tobago na última partida das eliminatórias da Copa da Rússia. (USA Soccer Image)

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Uma teoria que vem ganhando força, alega que a MLS pode ter contribuído em muito para esse fracasso. Já que expansão da MLS acabou por ajudar no desenvolvimento dos rivais dos EUA na CONCACAF.

Basta analisar alguns números: nas eliminatórias de 2014, o Panamá e Costa Rica tinham 3 jogadores cada que jogavam na MLS durante as eliminatórias e a maioria do elenco jogava nas próprias ligas nacionais dos seus países. Nas eliminatórias de 2018, o Panamá teve 9 e a Costa Rica 11 jogadores atuando pela liga americana. Um aumento absurdo em pouquíssimos anos, reflexo de como os clubes da MLS começaram a olhar com mais carinho para o mercado da CONCACAF. Contratar alguns dos melhores jogadores das ligas centro-americanas, virou uma opção boa e barata, já que a liga tem um teto salarial. E isso não aconteceu só com as seleções de Panamá e Costa Rica.

O mexicano Giovani dos Santos que atua pelo L.A. Galaxy. é uma das estrelas da MLS. (Foto- L.A. Galaxy.)

O México tem os irmãos Jonathan e Giovani dos Santos, além do Carlos Vela, que irá jogar na liga em 2018. A dupla de ataque de Honduras (Elis e Quioto) também formam a dupla de ataque do Houston Dynamo, equipe da MLS, além de outros bons jogadores hondurenhos de outras posições que também atuam na liga americana. Os três principais jogadores de Trinidad (Joevin Jones, Kevin Molino e Kenwyne Jones) atuam na MLS, além de jogadores importantes das seleções de Canadá, El Salvador e Jamaica, as mais fortes que ficaram de fora desta última fase.



No hexagonal das eliminatórias para 2014, 14 gols foram marcados por jogadores da MLS, nas diferentes seleções que disputavam. Já no hexagonal para 2018, foram 38 gols. Mais um aumento absurdo, que prova o quanto a MLS ajudou os rivais dos EUA no continente. Se antes eles ficavam com medo de enfrentar o bicho papão estadunidense, hoje eles não têm mais esse medo. Como disse o panamenho Román Torres, zagueiro do Seattle Sounders, hoje eles estão em uma liga com um nível muito superior ao das ligas centro-americanas e jogam todas as semanas contra e com astros da seleção norte-americana, como Dempsey, Howard, Bradley e Altidore, o que facilita quando eles estão diante dos norte-americanos em campo.

O panamenho Román Torres, que atua pelo Seattle Sounders, foi campeão da MLS em 2016. (Foto-Seattle Sounders)

Os gols que classificaram Panamá (Román Torres – Seattle Sounders) e Costa Rica (Kendall Waston – Vancouver Whitecaps) para a Copa e os de Honduras (Romell Quioto – Houston Dynamo) para a repescagem, foram marcados por jogadores que atuam na MLS. E foram exatamente esses gols que ajudaram a tirar os Estados Unidos do mundial da Rússia.

A MLS teve sim uma “mãozinha” nessa eliminação norte-americana.

Mas é claro que este não é o único fator que explica um vexame americano, outros fatores também devem ser levados em conta na hora que se tenta arrumar um culpado.

  • O baixo investimento no futebol de base – Os clubes não contam com a mesma verba que os clubes europeus e brasileiros. A grande mídia americana ainda não trata o futebol como respeito e a atenção que é dado pelo resto do mundo. Isso reflete no bolso dos clubes, que com menos exposição, contam com menos verba publicitária entrando e menos dinheiro para investir nas novas gerações.
  • A opção dos jovens pela bolsa de estudos – Os clubes investem tempo e dinheiro  nas categorias de base, criam os jogadores desde muito cedo, elevando o nível dos atletas. Mas quando o atleta chega próximo aos 18 anos, chega a hora de escolher entre virar profissional ou continuar os estudos em uma univesidade. Os jogadores que estão nas equipes de ponta, sempre recebem excelentes ofertas de bolsas de estudo e acabam aceitando o convite das universidades, principalmente porque os salários pagos pelos clubes da MLS, aínda são muito baixos e o ensino universitáio é muito caro nos EUA. As bolsas de estudo acabam motivando a atleta a escolher pela universidade, que também possuem times de futebol e possibilitam a ele continuar jogando pelos times universitários. Depois de formado, se o futebol ainda “correr na veia”, ele pode tentar dar continuidade a carreira de jogador. Já que muitos clubes mandam olheiros buscar jogadores no futebol universitário.
Comentaristas esportivos de várias emissoras, exacraram a eliminação precoce das seleção americana em diversos programas esportivos. (Foto-Reprodução)

A mídia especializada do Estados Unidos fala em “Medidas drásticas” que tem de ser tomadas em breve, para que outro vexame não aconteça com o futebol estadunidense.

Que medidas serão essas e quando serão tomadas, fica a pergunta.


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